sábado, 28 de janeiro de 2012

O Direito de Nascer

gestação de 36 semanas

"O começo da vida sempre foi e ainda é um rito de passagem. Qual é o sentido dos ritos modernos do nascimento? Mulheres passivas e assustadas, desenraizadas da centenária sabedoria feminina do dar à luz (e amamentar), nas mãos de médicos assépticos, distantes, educados, sorridentes e frios. Bebês impedidos de entrarem nesse mundo seguindo seu tempo e ritmos (cesáreas eletivas sem trabalho de parto, indução de parto), e manipulados como objetos, delicados, mas sempre objetos. Mulheres e bebês começam respectivamente a maternidade e a vida pela amputação de sua força e coragem. São impedidos de afirmarem-se como sujeitos autônomos, individuais, únicos e competentes. O que se encaixa perfeitamente numa perspectiva de vida de seguidores e não de autores. 
 
A separação dos partos por tipos é relativamente recente e só aconteceu como conseqüência do nosso sistema obstétrico. A partir da década de 70, na pós-segunda guerra e dentro do movimento revolucionário que se iniciou com o movimento hippie, alguns médicos e mulheres passaram a questionar o excesso de intervenções e melhores condições para dar a luz, propondo o resgate do parto como um evento fisiológico, familiar e afetivo. A partir daí surgiram as demais possíveis classificações das “formas de nascer”, tais como: Parto Leboyer, Parto de Cócoras, Parto na água, Parto sem dor e o Parto Humanizado. A discussão sobre como nascer, é algo que divide opiniões, contudo, é importante avaliar as condições que envolvem este momento, atentando para as reais necessidades que envolvem a relação entre a mãe e o bebê. Quando apreciamos a raridade do nosso nascimento humano precioso e a oportunidade que ele nos oferece, começamos a entender que não devemos desperdiçá-lo, mas, sim, devemos preencher seu propósito mais profundo — revelar a essência da nossa existência, a verdadeira natureza da mente."

Comentário de Pio Barbosa Neto para a reportagem "Eu fiz o parto do meu filho, não o médico", da revista Época

Um comentário:

Lika disse...

Que lindo, adorei esse texto, aliás o seu blog, ta lindo, sempre com comentarios, texto e reportagens que nos ensina, e prende a nossa atenção. parabéns. Bj

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...